quarta-feira, dezembro 26, 2007

Boas Festas!


QUERIDOS AMIGOS,


AQUI VOS DEIXO OS MEUS VOTOS DE


BOAS FESTAS


E UM


ANO DE 2008


RECHEADO DE COISAS MARAVILHOSAS!!


Beijinhos,


Joana.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Mais do que mil palavras...

SIMPLESMENTE OBRIGADA!!!


À tarde, durante os ensaios no Portimão Arena, o Pedro e o "mestre dos arranjos" João Godinho...
Bravo João!!!


No ensaio de som...



Com o Maestro Osvaldo Ferreira na revisão de alguns pormenores...
Noite: Início do concerto...verdadeiramente um momento que nunca esquecerei...
Bravos "Pêpês"!!!!!!

O nosso querido convidado especial Filipe Raposo, que nos acompanhou em três momentos repletos de sensilbilidade...



Muitos parabéns à Orquestra do algarve pelo seu 5º Aniversário!!!
Muito obrigada a todos os elementos da Orquestra e ao Maestro Osvaldo Ferreira!! Bravos!!!

Muito obrigada a todos aqueles que tornaram possível este concerto, a toda a produção (especialmente à minha querida Glória, e à Maria João, pelo magnífico som em palco: -és um anjo!), à CGD, à Orquestra do Algarve e à Câmara Municipal de Portimão!
Muito obrigada a todos pela vossa presença e pelo calor que encheu aquele enorme espaço!!!
















sexta-feira, novembro 23, 2007

Concerto com a Orquestra do Algarve... no Sábado!




É já amanhã a nossa estreia "à flor da pele "com a Orquestra do Algarve, dirigida pelo maestro Osvaldo Ferreira, com arranjos de João Godinho, na Arena de Portimão, (e não no Auditório Municipal da cidade como inicialmente estava anunciado. Informação errada que consta ainda na notícia abaixo transcrita, uma vez que a alteração foi posterior à notícia! ), às 21:30, numa noite que celebra o 5º Aniversário da OA e que conta com o apoio da Caixa Geral de Depósitos. Juntar-se-á a nós em algumas músicas o querido amigo Filipe Raposo com o seu acordeão e a sua sensibilidade! Um momento único e inesquecível que aguardo ansiosamente!
Até Sábado!
Joana Amendoeira canta em Portimão
Em palco vão estar ainda os músicos Pedro Amendoeira (guitarra portuguesa), Pedro Pinhal (viola baixo), Paulo Paz (contrabaixo) e o acordeonista Filipe Raposo. O concerto é um dos cinco que integram o programa comemorativo dos cinco anos da Orquestra do Algarve, sendo desta vez a fadista a convidada especial. Os arranjos para orquestra são de João Godinho.
Considerada um das mais importantes vozes da nova geração do fado, Joana Amendoeira tem vindo a afirmar-se no panorama musical nacional. Editou já os álbuns a solo ‘Olhos Garotos’, ‘Aquela Rua’, ‘À Flor da Pele’ e ‘Joana Amendoeira’. Este valeu-lhe o reconhecimento de toda a comunidade fadista, crítica especializada e público, bem como ser escolhida para apresentar o seu espectáculo em eventos de World Music, nomeadamente o Mercat de Música Viva de Vic (Espanha) e a Strictly Mundial 2005 (Canadá). Actuou ainda no Festival Atlantic Waves, na Feira do Livro de Turim e no Festival Île de France.
Com presença em várias colectâneas e contando já no seu palmarés com espectáculos um pouco por todo o Mundo, a fadista ribatejana, de 25 anos, participou este ano no disco de homenagem a Carlos do Carmo – ‘O Novo Homem na Cidade’ – ao lado de Ivan Lins, Camané, Mariza, Sara Tavares, Martinho da Vila e Tito Paris, entre outros.
O concerto no Auditório Municipal de Portimão integra-se no Projecto Orquestras – Concertos Caixa Geral de Depósitos. A entrada é livre, mas os bilhetes devem ser reservados com antecedência.
Ana Palma
in, Correio da Manhã, 18/11/2007





sexta-feira, novembro 16, 2007

Hoje, «À Flor da Pele», no Festival Vozes do Fado em Oeiras



O ciclo “Vozes do Fado” passará a ter como palco o Auditório Municipal Eunice Muñoz, a partir da próxima sexta-feira, dia 16 de Novembro. Neste dia, às 21H30, actuará Joana Amendoeira, acompanhada pelos músicos Pedro Amendoeira (Guitarra Portuguesa), Pedro Pinhal (Viola de Fado) e Paulo Paz (Viola Baixo).


Joana Amendoeira, ribatejana de nascença, é fadista há quase tanto tempo como é gente. Apesar dos 23 anos de idade, conta já na sua carreira com quatro álbuns, sendo o mais recente "À FLOR DA PELE", gravado nos estúdios “Pé-de-vento”, em 2006.


Actualmente, actua no Clube do Fado e o seu valor é já uma certeza de Valença a Vila Real de Santo António, passando pela sua Santarém. Tudo por causa do "dom de quem nasce do Fado".


Já teve oportunidade de actuar em palcos internacionais, tais como na Stricly Mundial, no Mercat Musica Vic, na Feira do Livro de Turim, no Festival Atlantic Waves ou no Festival Ile de France. A sua explosão internacional valeu-lhe o epíteto de "nova diva do Fado", pelo periódico francês L'Independent.


Também o jornal Novas da Música a elogia, chamando-lhe de "voz inebriante, bela como uma pétala de rosa e (…) já enraizada no mais legítimo património fadista".


Joana Amendoeira foi agraciada pela Casa da Imprensa, em 2004, com o Prémio Revelação.


Relembramos que os espectáculos do ciclo “Vozes do fado têm lugar às sextas-feiras até 30 de Novembro, às 21H30, agora no Auditório Municipal Eunice Muñoz, em Oeiras.


A abrir o Ciclo esteve Rodrigo, a 26 de Outubro no Auditório Municipal Ruy de Carvalho, a quem se seguiu Teresa Tapadas, dia 2 de Novembro e, a 9, António Zambujo.


A partir do dia 16 de Novembro, o evento “Vozes do Fado” passa a ter como palco o Auditório Municipal Eunice Muñoz. Neste dia actuará Joana Amendoeira, seguindo-se os fadistas António Pinto Basto, dia 23 e Ana Sofia Varela, a 30.


Esta iniciativa da Câmara Municipal de Oeiras apresenta o feminino e o masculino no fado, unindo num evento intérpretes mais recentes a par daqueles que ao longo das últimas décadas o representaram da forma mais intensa.

Refira-se que este estilo musical é apreciado e reconhecido no país e no estrangeiro como um símbolo, encantando sucessivas gerações.


Locais de venda de bilhetes:
Loja da CMO, no Oeiras Parque, Lojas FNAC, ABREU, BLISS, WORTEN, Livraria Bulhosa Oeiras Parque e http://www.ticketline.sapo.pt/ (reservas 707 234 234);Portal IOL, Portal CLIX, El Corte Inglés, Livrarias Bertrand, Livrarias Almedina, Livraria Letra, Lojas Media Markt e http://www.plateia.iol.pt/ (reservas: 214 346 304);Auditório Municipal Eunice Muñoz, dias de espectáculo, a partir das 18H00.


Preço:
plateia – 8,00 € / balcão – 5,00 € (desconto de 20%: -25 anos e +65 anos)




Tinha muitas saudades de cantar em Oeiras, a última vez foi também numa edição do Festival, com a companhia da Ana Moura e da Ana Sofia Varela, todavia noutro local, no Palácio Marquês de Pombal, numa noite de Verão, há já 5 anos...


Até logo! Beijinhos!



domingo, novembro 11, 2007

«À Flor da Pele» com o C.O.P. nos Jerónimos


«A Caminho de Pequim» - Festa do C.O.P. nos Jerónimos
O Mosteiro dos Jerónimos será, no próximo dia 13, palco da Festa do 98.º Aniversário do Comité Olimpico de Portugal, denominada «A Caminho de Pequim», durante a qual serão apresentados os trajes oficial e desportivo da Missão aos Jogos Olímpicos de 2008 e entregues os Prémios do C.O.P. relativos a 2006 e 2007.
O C.O.P. vai entregar os seus troféus aprovados na última reunião plenária da Comissão Executiva e Conselho Fiscal, incluindo a Ordem Olímpica, a Medalha Olímpica e o Prémio da Juventude. Também será entregue o Troféu C.O.I. 2007 – Desporto e Promoção do Olimpismo, atribuído pelo Comité Olímpico Internacional à Câmara Municipal de Rio Maior, por proposta do C.O.P.
Na festa do 98.º aniversário do Comité vão ser apresentados pela PR Têxteis, empresa detentora da marca Onda, patrocinadora oficial do Comité, os trajes desportivos e os oficiais da Missão a Pequim-2008, num desfile a cargo de atletas já qualificados para os Jogos Olímpicos.
Os trajes oficiais foram concebidos por Francisco Rosas, estilista português que trabalha actualmente em Itália, e os trajes desportivos pela estudante de moda Cátia Almeida, que venceu um concurso lançado pelo C.O.P. e pela PR Têxteis entre jovens criadores portugueses.
Os trajes são completados por calçado da Aerosoles (Sapato oficial) e da Crocs (sandálias de passeio), peças especialmente desenhadas para a Missão e que ambas as marcas irão comercializar como produtos oficiais do C.O.P.
O desfile é produzido pela Escola de Moda de Lisboa, em colaboração com o C.O.P, envolvendo alunos e professores do curso de coordenação e produção de moda.
A apresentação inclui um espectáculo musical da fadista Joana Amendoeira, que interpretará originais do seu último disco «À flor da pele», acompanhada por Pedro Amendoeira (guitarra portuguesa), Pedro Pinhal (viola) e Paulo Paz (contrabaixo e baixo acústico), bem como uma exibição de Dança do Dragão, a cargo da Escola de Artes Marciais Chinesas SHE-SI.

2º ENCONTRARTE em Santarém no dia de São Martinho


2º EncontrArte
Encontro de Divulgação de arte
dia 11 de Novembro, às 15h00, no Teatro Sá da Bandeira


EncontrArte é um Encontro de Divulgação de Arte, onde a integração das pessoas com deficiência é uma realidade, concedendo-lhe espaço e oportunidade para divulgarem as suas capacidades e competências artísticas.
O objecto do espectáculo circunscreve-se à divulgação de actividades culturais e artísticas desta Associação, que, no caso em apreço, acolhe também a participação de alguns artistas com deficiênciamental/física pertencentes a Instituições nacionais de Solidariedade Social.
Associaram-se também a este 2º EncontrArte artistas nacionais de renome internacional: Orquestra Típica Scalabitana, o guitarrista clássico Silvestre Fonseca e a fadista scalabitana Joana Amendoeira.

APPACDM Santarém

(Música)
(Duração) 120´
(Classificação) M3
(Preço) 5 euros


É hoje... não falte!

quinta-feira, novembro 08, 2007

O Fado Acontece - Espectáculo de Solidariedade

O Fado Acontece - Espectáculo de Solidariedade

Fórum Lisboa – 10 de Novembro -22h
A AIDGlobal - Acção e Integração para o Desenvolvimento Global, é uma jovem organização não governamental para o desenvolvimento, sem fins lucrativos, devidamente reconhecida pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, que promove acções nas áreas da cooperação para o desenvolvimento, educação para o desenvolvimento, migrações, formação e voluntariado.
A AIDGlobal é contituída por uma equipa multidisciplinar de jovens que acredita que através da acção e da integração pode atingir-se um desenvolvimento global justo, inclusivo e sustentável.
Com o objectivo de celebrar o seu segundo aniversário, promover e divulgar os seus projectos, a AIDGlobal apresenta o espectáculo de solidariedade "O Fado Acontece".


Seja solidário... não falte! Até Sábado!



Fórum Lisboa
Entradas:10 euros
Endereço: Avenida de Roma, 14 L1000 - 265 Lisboa
Telefone: 218 170 400
Fax: 218 170 429
Internet: www.cm-lisboa.pt
E-Mail:forumlisboa@cm-lisboa.pt
Acessos: Autocarros: 7, 7A, 7B, 21, 27, 33, 35 Metro: Roma (Linha Verde)
Fotografia: Vera Correia

quarta-feira, novembro 07, 2007

Corações ao alto de tanta emoção...



O concerto de dia 1 de Novembro, no Queen Elizabeth Hall, vai ficar marcado para sempre na minha memória por ter tido a oportunidade de viver momentos mágicos de puro Fado que aconteceram naquela noite, foi verdadeiramente um privilégio partilhar o palco com todas as minhas companheiras ( e companheiros músicos) e ... ouvir a sublime Beatriz e o vulcão Maria da Fé, encheu-nos a alma! Encheu-nos tanto que transbordaram lágrimas dos nossos olhos, nem os músicos resistiram a essa emoção em cima do palco!
-Particularmente obrigada pelos vossos «Deste-me um beijo e vivi» e «Valeu a Pena»!!!


Eu e a Raquel Tavares, companheira do fantástico passeio pelo centro de Londres.

Muito boa disposição nos momentos que antecederam o concerto!
José Luís Gordo, Aldina Duarte, Paulo e Raquel Tavares.




O momento de descompressão depois de tanta adrenalina vivida naquela noite, com os corações cheios de emoção, por se estar a viver um momento único que juntou gerações tão distintas, com uma sala esgotada por um público vibrante... até da parte dos músicos e fadistas não faltaram lágrimas de felicidade...
Ricardo Cruz, Eu, Hélder Moutinho, Beatriz da Conceição, Paulo Parreira, Aldina Duarte, Maria da Fé, Raquel Tavares, Luís Pontes, Mafalda Arnauth, Ramon Maschio.


Queridos amigos, até breve!

terça-feira, outubro 30, 2007

Concerto de Tenerife com entradas esgotadas






Joana Amendoeira y Nancy Vieira cuelgan el cartel de ‘no hay entradas’
Las cantantes ofrecerán el viernes el primero de sus conciertos

S.C. DE TENERIFE.– Las cantantes Nancy Vieira y Joana Amendoeira cuelgan el cartel de no hay entradas en los conciertos que ofrecerán el 19 de octubre y el 28 de noviembre, respectivamente, dentro de la programación del Otoño Cultural de CajaCanarias.
Las citas, que tendrán lugar en el Espacio Cultural de la entidad financiera dentro del apartado Músicas del mundo, han agotado las localidades varios días, incluso semanas, antes de las actuaciones, al igual que ocurrió en los conciertos de Luis Eduardo Aute, ya celebrado, y Ariel Rot, que tendrá lugar el 23 de noviembre.
Sin embargo, aún quedan localidades para las actuaciones de La Shica, el 30 de octubre; Federico Lechner, el 9 de noviembre, y Frank Morgan, el día 15 del mismo mes, que pueden adquirirse al precio de 5 euros en los terminales multiservicio de CajaCanarias y en el apartado de venta de entradas de la página web www.cajacanarias.es.
Nancy Vieira ofrecerá un concierto que mezcla las raíces portuguesas, caboverdianas, brasileñas y cubanas resumidas en su nuevo trabajo, Lus, mientras que Joana Amendoeira vendrá a Tenerife a presentar su último disco, titulado Á flor da pele, con el que la cantante de fado portuguesa se ha consolidado en el plano internacional haciendo giras por toda Europa y participando en los mejores teatros y festivales del mundo.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Reportagem no Correio de Domingo

SENHORAS FADISTAS

Seis vozes femininas, seis estilos, seis histórias de vida e carreira que se entrelaçam


Aldina Duarte, Maria da Fé, Raquel Tavares, Mafalda Arnauth, Beatriz da Conceição e Joana Amendoeira. Seis vozes femininas, seis estilos, seis histórias de vida e carreira que se entrelaçam. Na quinta-feira, o festival Atlantic Waves leva as muitas marés da canção nacional a Londres. O encontro de gerações, e o seu Fado, acontecem no palco do Queen Elizabeth Hall.
Se pudesse cantava dentro de uma caixa. Diz ela. O público, incapaz de descolar a presença da voz, dava tudo menos consentimento. E mesmo que as pedras da calçada não chorassem, as cordas da guitarra portuguesa gemeriam ‘sacrilégio’. Parece que brinca. Mas Aldina Duarte diz a verdade.
Porque a arte que acontece à média-luz de uma casa de fados não se compadece com mentiras. As surpresas não se explicam, acontecem. A maior de todas buliu-lhe sismicamente com a sina. “Conhecer Beatriz da Conceição foi um autêntico tremor de terra. Foi determinante para a minha vida de hoje. Tinha 24 anos, só conhecia os sucessos da Amália e do Carlos do Carmo. Nem sabia o que seria uma casa de fados. Quando ouvi aquela senhora cantar foi inesquecível.”
A incumbência de pré-entrevistar Beatriz da Conceição para um documentário nunca foi acabada.
Aldina sorveu a voz da veterana noites a fio durante três anos. Conversa puxou conversa até ver parida a tentação de cantar. “Não fui eu que a mandei!”, justificava ‘Bia’, ‘senhora dona’ que o mundo do Fado afagou com diminutivo. “Eu estava numa casa no Bairro Alto e ela começou a aparecer. Arranjei-lhe um bom guitarrista, um vestido, e mandei-a pôr-se toda bonita. Estava a principiar e fugia ao compasso. Agora já não foge, criou o seu próprio estilo”, gaba a sua grande referência. A sua e a de quase todas que celebram o encontro de gerações do fado, numa feliz coincidência de agendas sempre lotadas.
“Tenho 40 e um percurso algo isolado. Esta é a primeira vez em que vou fazer parte de um grupo. A Beatriz da Conceição e a Maria da Fé têm uma experiência riquíssima. Imagine-se o que estas mulheres tiveram que enfrentar a trabalhar à noite”, lembra Aldina.
DONA 'BIA'
Espectáculo é promessa que sucede à aventura. A viagem. Dona ‘Bia’ deixa recado a quem disputa a coxia.
Do alto dos 68 anos, põe e dispõe com voz grave e humor de recorte fino. “Já disse que não quero que se sentem ao pé de mim no avião! Vou com os meus rapazes, os guitarristas.”
A visada mor, Raquel Tavares, nem pensa em enfiar a viola no saco. “Chamo-lhe ‘formiguinha’ porque nunca está quieta!”, justifica Beatriz. Raquel não esconde a reverência que uma aprendiz sempre acusa. “Ainda fico muito ‘ó meu Deus, é a Beatriz!’. Quando tenho que cantar para ela é um drama!”
No princípio era o verbo e a perna bamba.
À noite, quando o fado é trabalho mas também conhaque de tanto gozo que dá, as mãos debitavam os caprichos do corpo da sua “grande referência”. “Tinha muitos tiques físicos dela. Nunca tive o intuito de imitar mas, inconscientemente, fazia aquilo. Chamavam-me ‘a Bia em ponto pequeno’!”.
Depois do verbo, um repertório próprio; 22 anos de vida. 17 entre o fado amador. A procissão da ‘escola’ que dá tarimba, diz quem sabe, ainda vai no adro. “Mal de nós se também não aprendêssemos todos os dias!”, lembra Beatriz, afastada há oito anos das casas de fado. “Querem mais novas...”, confessa, sem amargos de boca.
A idade é posto mas não perdoa. Vale que o castigo é brando e a energia abunda na veia de boémia. “Sou galdéria, gosto muito da noite e de ir ouvir as pessoas de quem gosto. Também ouço as antigas. Quando ouvi a Fernanda Maria e a Lucília do Carmo ao vivo, morri. Disse “vai lá para o raio que o parta que não estás cá a fazer nada! Mas a gente vai aprendendo”, assevera ‘Bia’.
Abençoada sangria alfacinha que há muito, muito tempo, a embriagou de coragem. “Ia fazer 22 anos e nunca tinha cantado. Vim passar uns tempos a Lisboa com um casal amigo e fomos aos fados à Márcia Condessa. Bebi um copo e comecei a fazer coros. Só tinha cantado no Porto a lavar a louça e o chão. Depois nunca mais parei.” Primeiro cachet “70 escudos. Pouco, muito pouco...”.
Seguiu-se a casa Viela. E a saudosa Revista. “Fiz umas coisas a representar mas gostava era de ir para os fados!” Leia-se, o fervor na costela de morcego e esqueleto inteiro de tertuliano. “Quando nós, fadistas, falamos sobre o Fado nunca passamos da cepa torta!”, garante Raquel.
JOANA AMENDOEIRA
Mas o chão delas dá uvas. A amizade também tem sumo. Não é a primeira vez que as ondas do Atlantic levam Joana Amendoeira a Londres.
Olhos muito verdes, 25 anos reservados, sorriso fácil que “sem saber muito bem porquê” pegou o Fado de jeito. A escalabitana de gema conhece bem a mais saída da casca. “Eu e a Raquel crescemos muito depressa!
Desde pequena que tenho muita afinidade com as pessoas mais velhas”. Joana inspira-se, claro. E inspira. As novas fornadas que se vão abeirando do Fado num movimento perpétuo. “O Fado está em evolução constante, já não é de ‘faca e alguidar’. É estranho, com a nossa idade, sermos referência de alguém. Às vezes encontro algumas pessoas que dizem que estão sempre a ouvir os meus fados. É fantástico!” Tão ou mais extasiante é actuar. “É uma adrenalina muito grande mas quando começamos a cantar isso desvanece-se. Na casa de fados sentimos as pessoas a respirar. Nos espectáculos, em palco, temos que chamar o público de outra forma”.
Por ‘tu’. Chamam-no na segunda pessoa, mesmo que jurem a pés juntos e firmes na terra que falta muito para encurtar a distância de um deferente ‘você’.
“Tenho 33, se tivesse já descoberto toda a essência do meu fado o que é que faria nos próximos 30?”, interroga-se Mafalda Arnauth. “Prefiro investir no futuro para saber para onde vou. Continuo cá com o meu universo.” Um universo onde cabe todo o Fado. O fado dela. “É uma amálgama que me realiza bastante. Purista, não sou...”
Pode juntar-se ao grupo. À mancha preta com os seus retalhos de cor e detalhes que pontuam a diferença. No final, sobra o grande imponderável que lhe ceifou o curso de Veterinária. “É a maior piada da minha vida... muito séria. Numa praxe da faculdade obrigam-me a cantar o ‘Cheira bem, cheira a Lisboa’.
Foi tão natural que me obrigaram a ir para casa aprender mais! Em seis meses a minha vida transformou-se.”
Virou perfume, no meio dos muitos cheiros que separam e unem os fados de todas elas. “De cada uma tinha uma referência. Curiosamente, a primeira pessoa que conheci nos fados foi a Joana Amendoeira.
A Maria e a Beatriz são duas grandes referências. Os seus sucessos têm uma carga brutal de história, de uma época em que as pessoas se sentavam para compor e em que uma zaragata, uma amizade, dava inspiração.” A natureza baila-lhe no jeito alegre que quer levar “o nosso choro” até Londres. “Tenho uma sensação de flutuação em palco. Ou está lá a emoção e a verdade...ou é mentira”, diz Mafalda.
Não era mentira mas pura metáfora, garante Maria da Fé. Cantar até que a voz lhe doa, nem pensar. “Vou cantar até gostar de me ouvir. Sou muito perfeccionista. As pessoas exigem mais de quem anda cá há muitos anos.”
São 65. A cantar desde os 9. ‘Carreira’ é coisa que se apanha depois de bilhete comprado. Chama-lhe ‘arte’. Porque “Deus assim quis”. E porque a mãe permitiu que trocasse a Invicta pela capital, onde se reza a vida a cantar. “Ela sabia que havia qualquer coisa lá em cima que me ia ajudar. Vim tirar a minha carteira profissional. Sou Maria da Conceição e não podia ter um nome artístico igual a ninguém”, recorda. ‘Maria da Sé’ foi alvitre de pouca dura. O monumento vergou-se ao sentimento: ‘Maria da Fé’.
O estilo, esse constrói-se. E a fadista acontece, como o Fado, hoje com dignidade renovada e caminho menos agreste para quem se aventura. “Esta revoada de gente que canta sem receios é muito bom.
Antigamente, se não cantasse à noite numa casa de fados não tinha dinheiro para comer.” Tudo leva o seu tempo. “A Beatriz agora diz que sou a Piaf do Fado! Gostamo-nos muito. Ela até me pôs o apelido de ‘Rateira’, porque vejo tudo!” Mas em terras de Sua Majestade a visão promete perder para esse sexto sentido que o Fado coroou. A alma. Porque tudo isto o é.
A BOA ONDA DA TRADIÇÃO E INOVAÇÃO
O ‘Atlantic Waves’, festival de música portuguesa organizado pela Fundação Gulbenkian, volta a animar a capital inglesa . A edição deste ano aposta no Fado, na guitarra e na música electrónica. As vozes do fado no feminino escutam-se dia 1 no palco do Queen Elizabeth Hall, acompanhadas de Ricardo Cruz (viola baixo), Luís Pontes (guitarra clássica) e Paulo Parreira (guitarra portuguesa). . No dia 2, o St. Giles Cripplegate acolhe os guitarristas António Chaínho, Custódio Galego e Ricardo Parreira. Os cruzamentos mais improváveis da electrónica e seus derivados acontecem na discoteca Cargo.
Suplemento do Correio da Manhã, Correio de Domingo, 28/10/2007.

Jornalista: Maria Ramos Silva
Fotografia: Rui Vasco